Francês com Francês · @ninofallard

Feito pra ser mandado

Sete perfis, 190 reels medidos, só os que passam de um milhão levados a sério. Eles não têm o mesmo assunto nem o mesmo público, mas os vídeos que estouram têm todos a mesma propriedade: são feitos para alguém mandar para outra pessoa. É essa a diferença entre um reel de 9 milhões que morre e um de 18 milhões que traz seguidor.


Quem entrega mais do que o tamanho

Visualizações medianas divididas pelo número de seguidores. Acima de 100% significa que o perfil alcança mais gente do que tem de seguidor, toda semana.

Visualizações por seguidor, mediana dos reels recentes

Medido em 23 de setembro de 2026, sobre os 20 a 30 reels mais recentes de cada perfil.

viniblogger: 193% das visualizações por seguidor viniblogger 193% reis_raff: 125% das visualizações por seguidor reis_raff 125% lacteameufii: 67% das visualizações por seguidor lacteameufii 67% matheuscosta: 57% das visualizações por seguidor matheuscosta 57% ninofallard: 34% das visualizações por seguidor ninofallard 34% camilatrianda: 21% das visualizações por seguidor camilatrianda 21% teacherpaula: 14% das visualizações por seguidor teacherpaula 14% paulcabannes: 10% das visualizações por seguidor paulcabannes 10%
PerfilSeguidoresViews medianasPor seguidorAcima de 1 mi
viniblogger1,5 mi2,9 mi193%18 de 25
reis_raff1,2 mi1,5 mi125%14 de 25
lacteameufii4,3 mi2,9 mi67%19 de 25
matheuscosta5,4 mi3,1 mi57%23 de 25
ninofallard513 mil173 mil34%5 de 30
camilatrianda2 mi430 mil21%6 de 20
teacherpaulagabriela2 mi270 mil14%1 de 25
paulcabannes_2,5 mi260 mil10%4 de 25

O Paul Cabannes é o caso que mais interessa: francês, humorista, no Brasil desde 2015, com escola de francês, 2,5 milhões de seguidores. A mediana dele é 260 mil visualizações, 10% da base. O Nino, com cinco vezes menos seguidores, entrega 34%. No mesmo nicho e no mesmo país, o perfil do Nino é três vezes mais eficiente que o do maior concorrente direto.


A descoberta: compartilhamento

Nos reels gigantes dessa lista, o que separa um vídeo de 5 milhões de um de 20 milhões não é curtida, é a quantidade de gente que manda ele pra alguém. Instagram trata compartilhamento como o sinal mais forte do ranking de reels, e esses perfis vivem disso.

ReelViewsCompartilhamentos1 a cada
viniblogger · “Box man”18,4 mi52.583350
viniblogger · “Ele foi muito profissional”21,2 mi37.888560
reis_raff · “Vai com calma, Ney”19,4 mi30.258641
matheuscosta · “sempre assim”5,3 mi18.233291
teacher paula · “#tbt lembrança do dia”1,4 mi14.94694
lacteameufii · “respeita, Apple”8 mi14.658546
ninofallard · “alerta pros gringos”5,1 mi9.616530
ninofallard · “brasileiros vivem a comida”9,3 mi79411.713

O reel de 9,3 milhões do Nino teve 794 compartilhamentos. O de 5,1 milhões teve 9.616. Mesmo perfil, mesmo ano, doze vezes de diferença.

Isso é a melhor notícia do levantamento inteiro. Ele já sabe fazer vídeo compartilhável: o “alerta pros gringos” tem um compartilhamento a cada 530 visualizações, que é exatamente a mesma taxa do reel de 19,4 milhões do reis_raff e melhor que o de 16,2 milhões do viniblogger. O problema é que ele faz isso por acidente, uma vez a cada tantos vídeos. O de comida, que alcançou quase o dobro, tem um compartilhamento a cada 11.713 visualizações, ou seja, vinte e duas vezes pior.

A diferença entre os dois: o de comida fala sobre o brasileiro. O de TCB fala sobre você, e termina numa emoção que a pessoa quer mandar pra alguém que está fora do Brasil, ou pro amigo que também sente falta. O primeiro rende curtida. O segundo rende encaminhamento, e encaminhamento rende seguidor.


Os dois times

Esquete com elenco

viniblogger, reis_raff, lacteameufii, matheuscosta. Mediana de 1,5 a 3,1 milhões, quase todo reel acima de um milhão. São roteiros curtos com dois ou mais personagens, corte seco, e uma piada que se entende sem som. Escalam porque não dependem de assunto: dependem de situação.

Talking head e observação

paulcabannes_, teacherpaulagabriela, camilatrianda. Mediana de 260 a 430 mil, raramente passam de um milhão. É onde o Nino está hoje, e mesmo assim ele bate os três em eficiência por seguidor. O teto desse formato é mais baixo, e é por isso que vale acrescentar o primeiro, não trocar.


As publis de 26 e 28 milhões

O Matheus levantou isso e tem razão. O maior reel do viniblogger de todos os que eu medi é uma publi: “Tudo fica mais fácil quando tem alguém na escuta #publi @visa_br”, 28,6 milhões de visualizações. O segundo maior do lacteameufii é publicidade do Nubank: “me chamar de Lakita tudo bem até, agora confundir o Nubank Parque jamais”, 26,5 milhões. A Listerine dele fez 15,6 milhões. Duas publis da camilatrianda fizeram 4,4 e 3,9 milhões, acima da mediana dela.

O que elas têm em comum, e é a regra inteira:

A marca é cenário ou desfecho, nunca o assunto

A piada do Nubank é sobre confundirem o nome dele. O nome do estádio é o pretexto. Tira a marca e o vídeo continua engraçado, só perde a última frase.

Ninguém explica o produto

Nenhuma das quatro tem benefício, preço, link ou “corre lá”. A legenda tem seis palavras e assume a publi sem pedir desculpa.


Seis formatos pra roubar


Como isso vira gente dentro do grupo

A ideia do Matheus é usar o mesmo mecanismo da publi, só que o anunciante é o próprio projeto. Isso funciona, com uma condição: o grupo tem que ocupar o lugar da marca, que é o desfecho, e nunca o lugar do assunto.

1. O vídeo tem que existir sem o grupo

O teste é o mesmo da regra de proteção do perfil: tira a última frase. Se o que sobra ainda é um vídeo que ele publicaria, pode ir. Foi assim que a publi da Visa fez 28 milhões.

2. A menção é a última frase falada, no mesmo tom

Um segundo e meio, sem mudar de energia, sem texto na tela: “eu tô montando um grupo pra ensinar isso direito, comenta FRANCÊS que eu te mando”. Sem data, sem preço, sem “vagas limitadas”.

3. Só entra em reel de formato compartilhável

Esquete, reação ou emoção. Nunca em vídeo de lista, que é o formato que gera comentário mas não gera encaminhamento e portanto não traz gente nova.

4. A palavra-chave fica no comentário fixado também

Quem chega pelo explorar não escuta o áudio até o fim. O primeiro comentário, fixado pelo perfil, repete a chamada em uma linha.

5. O grupo é o produto do vídeo, o workshop é o produto do grupo

Dentro do grupo, três dias de aula curta e só então o convite. O feed do perfil grande continua sem saber que existe workshop, que é o que mantém o alcance de pé.

6. Uma vez por semana, no reel que estourar

Não em todos. A menção entra no vídeo da semana que passar de 300 mil visualizações, e o resto fica limpo.

Como isso foi levantado e o que fica de fora. Peguei a aba de reels dos sete perfis e medi as visualizações públicas dos 20 a 30 vídeos mais recentes de cada um, o que dá 190 reels. Depois abri os trinta maiores para ler legenda, curtidas, comentários e compartilhamentos. Eu não escuto o áudio dos vídeos, então formato, estrutura e mecanismo vieram das capas, das legendas e dos números; piada interna que só existe na fala pode ter escapado. Os perfis de esquete publicam quase diariamente e têm equipe de roteiro e edição, o que o projeto não tem hoje: o que dá pra copiar agora é a estrutura, não o volume.